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V81 Consultoria

Gestão de resíduos em condomínios: o exemplo do Landscape Maricá

A gestão de resíduos em condomínios residenciais costuma ser tratada como uma questão operacional: disponibilizar lixeiras, definir os locais de descarte e contratar empresas para realizar a coleta. Na prática, porém, uma gestão eficiente exige muito mais organização, acompanhamento e participação dos moradores.

O Condomínio Landscape, localizado em Maricá, no Estado do Rio de Janeiro, é um exemplo de como esse trabalho pode gerar resultados concretos quando realizado de forma contínua e tecnicamente orientada.

Em junho de 2025, o Landscape tornou-se o primeiro condomínio residencial do Brasil a conquistar o Selo Lixo Zero, concedido pelo Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB). A conquista foi resultado de um processo de gestão de resíduos conduzido pela V81 Consultoria / EcoVantagens, responsável pela implantação, acompanhamento e aprimoramento das práticas adotadas no condomínio.

Mas talvez o aspecto mais importante dessa experiência não esteja propriamente na conquista do Selo. Está no processo necessário para chegar até ele.

Gestão de resíduos não se resume à coleta seletiva

Um dos erros mais comuns quando se fala em gestão de resíduos é imaginar que separar recicláveis dos demais materiais seja suficiente.

A coleta seletiva é fundamental, mas representa apenas uma parte do processo.

Em um condomínio, é necessário compreender quais resíduos são gerados, em quais quantidades, como são acondicionados, de que maneira são coletados internamente, para onde são encaminhados e quais oportunidades existem para reduzir a própria geração.

Também é necessário trabalhar permanentemente com as pessoas.

Moradores, funcionários, prestadores de serviços, equipes de limpeza, administração e fornecedores interferem diretamente nos resultados. Um sistema tecnicamente bem estruturado pode perder eficiência rapidamente quando não existe orientação adequada para quem participa dele diariamente.

Foi justamente a combinação entre estrutura operacional, acompanhamento técnico e educação ambiental que permitiu ao Landscape avançar em diferentes frentes.

O que os números demonstram

No momento da obtenção do Selo Lixo Zero, o condomínio alcançou 46% de desvio de resíduos do aterro sanitário. Isso significa que uma parcela significativa dos materiais gerados deixou de seguir para disposição final e passou a receber outros encaminhamentos.

Entre as boas práticas avaliadas, o Landscape atingiu 83% em reciclagem e 83% em compostagem, além de resultados relacionados à educação e conscientização, ações sociais e práticas de redução e reuso.

Esses indicadores são importantes porque permitem sair do campo da percepção.

Não basta afirmar que um condomínio recicla muito ou que possui boas práticas ambientais. Uma gestão séria precisa produzir informações capazes de demonstrar o que efetivamente está acontecendo com os resíduos.

Quanto é gerado? Quanto é reciclado? Quanto é compostado? Quanto ainda segue para aterro? Onde estão os principais problemas? Quais ações podem melhorar esses resultados?

Quando essas informações passam a fazer parte da gestão, os resíduos deixam de ser tratados somente como aquilo que precisa ser retirado do condomínio e passam a ser administrados.

O papel dos moradores é fundamental, mas a gestão precisa funcionar

É comum atribuir o sucesso ou o fracasso da coleta seletiva exclusivamente à conscientização dos moradores.

A participação dos moradores é indispensável, mas não resolve sozinha um sistema mal estruturado.

É responsabilidade da gestão criar condições para que a separação aconteça corretamente: comunicação clara, infraestrutura adequada, identificação dos coletores, definição dos fluxos internos, orientação das equipes, destinação ambientalmente adequada e acompanhamento dos resultados.

A educação ambiental funciona melhor quando encontra uma estrutura preparada para transformar a participação das pessoas em resultado.

No Landscape, esse processo envolveu ações de coleta seletiva, compostagem, educação ambiental, redução do consumo e reaproveitamento de materiais, acompanhadas tecnicamente ao longo da implantação.

Certificação não significa fim do trabalho

Outro aspecto importante do processo é compreender que uma certificação não encerra a gestão.

Ao contrário.

Quando existem indicadores, torna-se possível identificar com maior precisão onde estão os próximos desafios.

Um condomínio que desvia 46% dos resíduos do aterro já apresenta um resultado importante, mas também sabe que existe outra parcela sobre a qual ainda precisa trabalhar.

Por isso, após a obtenção do Selo, a V81 permaneceu responsável pelo acompanhamento dos indicadores, pelas campanhas educativas e pelo aprimoramento contínuo das ações desenvolvidas no Landscape.

Gestão de resíduos é processo. Exige acompanhamento, correção de procedimentos, comunicação e avaliação permanente dos resultados.

Um condomínio também pode ser referência

Condomínios são pequenas comunidades.

Concentram moradores, trabalhadores, prestadores de serviços, consumo de produtos e geração diária de diferentes tipos de resíduos. Por essa razão, possuem também grande potencial para implementar soluções ambientais capazes de produzir resultados mensuráveis.

A experiência do Landscape Maricá demonstra que é possível estruturar essa gestão de maneira profissional e transformar práticas ambientais em resultados concretos.

Ser o primeiro condomínio residencial brasileiro a conquistar o Selo Lixo Zero tornou o Landscape uma referência. Mas o principal aprendizado talvez esteja no caminho percorrido para chegar até essa conquista.

Quando existe planejamento, acompanhamento técnico, participação das pessoas e compromisso com a melhoria contínua, os resíduos deixam de ser apenas um problema operacional e passam a fazer parte da própria gestão do condomínio.

Por Bruno Rodrigues
Administrador / Engenheiro Civil
Membro da Comissão Especial de Sustentabilidade do CRA-RJ
Embaixador e Consultor Lixo Zero Brasil

Em 05 de junho de 2025.